SOBRE
O trabalho de Claudia Carmona nasce da relação direta com a matéria, do tempo e da escuta. Cada peça começa antes da forma, no contato atento com a madeira, na observação de suas marcas, de seus limites e das possibilidades que ela carrega. Existe um reconhecimento do que já está presente, uma escolha por não impor caminhos, mas por permitir que a forma se revele ao longo do processo. É nesse espaço de atenção e de espera que o trabalho ganha sentido.

Onde tudo começa

A origem desse percurso está em uma experiência no Mato Grosso, onde o encontro com fragmentos de árvores descartadas pela indústria abriu um novo campo de percepção. O que antes era visto como sobra passou a ser entendido como matéria viva, carregada de tempo, memória e potência de transformação. A partir desse momento, a madeira deixa de ser apenas material e se torna ponto de partida. Surge então um trabalho que valoriza o que permanece, que reconhece nas marcas do tempo não um desgaste, mas uma linguagem.
O processo é conduzido de forma pausada e intuitiva. Não há pressa nem busca por um resultado imediato. Existe um diálogo contínuo entre olhar e matéria, onde cada decisão acontece no tempo certo. O erro não é evitado, ele faz parte do caminho e muitas vezes indica novas direções. A forma não nasce de uma ideia fixa, mas de um processo de aproximação, escuta e construção. Cada peça carrega esse percurso, tornando visível a relação que a originou.

Entre o escultórico e o uso
O trabalho não estabelece uma separação rígida entre escultura e objeto. Existe uma fronteira aberta onde forma, função e presença convivem de maneira natural. Mesmo quando pensadas para o uso, as peças mantêm um olhar escultórico, ocupando o espaço com delicadeza, força e intenção. Mais do que objetos, são presenças que se inserem no ambiente de forma sensível, construindo relações duradouras com quem as escolhe e com os espaços que passam a habitar.
